Vou tentar manter uma ordem mais ou menos cronológica. A trilha do curta-metragem "Com as Próprias Mãos", do diretor Aly Muritiba foi feita mais ou menos na mesma época do "Cru", filme da postagem anterior.
Pode-se dizer que essa foi a primeira trilha sonora melódica que eu fiz para cinema. O Alysson queria que fossem usados violoncelo e piano. E eu perguntei o que ele pretendia, mais ou menos, em relação à intenção da música. Ele me disse que queria algo "amargo". Partindo dessa ideia, fui desenvolvendo mentalmente a melodia. Enquanto eu compunha, já ia imaginando em que momentos do filme a música iria entrar. Esses momentos acabaram mudando um pouco na mixagem final. No decorrer do processo, acabou, ao invés de violoncelo, entrando um contrabaixo com arco, executado pelo Bruno Garcia Batista, que acho que foi fundamental para as notas graves que eu queria. E também entrou violino e viola, gravados pelo Sandro Pallande-Romanelli. Eu mesmo gravei o piano (e piano de cauda hein!). A captação foi feita pelo João Marcelo. A mixagem final foi feita no estúdio Off Beat, pelo Alexandre Rogoski.
Essa trilha foi bastante discutida. É um filme com uma história bastante amarga e trágica. Havia então o risco de a música não funcionar, ressaltando demais essas características que já estavam bastante evidentes no filme. As opiniões que ouvi sobre essa trilha se dividem. Alguns gostam bastante da música, porém isoladamente, outros acham ela, digamos, "piegas" demais. Outros gostam e consideram-na um dos pontos fortes do filme, outros realmente não gostam da música, mas reconhecem que ela tem um valor funcional em relação às impressões que o filme deixa, ou pretende deixar. Outros acham que a funcionalidade dela é mais um dos ingredientes para o que alguns chamam de característica apelativa que o filme eventualmente possa ter. Outros acham que ela ajuda a "glamorizar" a violência. Enfim, ocorreram tanto críticas positivas quanto desfavoráveis. E acho que isso é natural. Assim como houveram opiniões divididas sobre ela, houveram também, sobre o próprio filme. Sei lá, na minha opinião, é só um filme, e é só uma trilha. Mas respeito as opiniões e críticas. Os filmes precisam realmente ser discutidos, criticados e debatidos. Mas a arte não tem nenhum poder de transformação e nem de pregação de ideologia. Você pode até defender uma ideia. Agora, querer colocar uma responsabilidade em cima do realizador acho que é forçar um pouco a barra. Cada um tem seu estilo e maneira de conceber idéias. E essas idéias, bem como a maneira de expressá-las, podem agradar ou não algumas pessoas. Acho que aí é muito mais uma questão de identificação com a narrativa do que qualquer outra coisa. Mas por outro lado, cada um tem o direito de dizer o que quiser sobre um filme. É aí que tá a graça da coisa. Enfim, to desenterrando uma discussão antiga.
Abaixo segue o link do filme "Com as Próprias Mãos", com a trilha sonora: